Emoções, Terapias, etc.

Escrito por Carlos Alberto Franco Ligado . Publicado em Mudança

Supervisão Individual é o método clássico de se conduzir um trabalho de descoberta pessoal (estrutura psicológica) que permita mudança de significados em crenças, valores e comportamentos.

Qual a relação entre mudança pessoal e a emoção do medo?

As emoções são reguladas pela atividade das amigdalas no circuito límbico, de onde se disparam sinais para o córtex orbito-frontal, sistema endócrino, etc. No interior do útero da mãe e até certo tempo depois do nascimento - ainda sem consciência - toda relação do corpo com o meio gera sensações agradáveis ou não, às quais o corpo se ajusta regulando processos e atividades internas como resposta à estímulos.

Assim desde o nascimento - momento traumático - até a maturação completa das regiões cerebrais ligadas à decisão - por volta dos 20 anos - primeiramente só o corpo, e posteriormente corpo e sistema cognitivo, estão orientados para aprendizagem de comportamentos (ações do corpo sobre o meio ou sobre o próprio corpo) para gerar equilíbrio.

Os procedimentos de auto-regulação mais significativos são os relacionados à estímulos que causam desconforto: ativação, pela orientação de sobrevivência, dos mecanismos de fuga, agressão ou congelamento. Os comportamentos que conduzem ao sucesso são memorizados para resposta inconsciente em situações similares no futuro: organizações da fisiologia (e depois crenças e valores mais a fisiologia). Assim uma resposta a um estímulo hoje, é resultado de uma combinação de memória emocional e memória de procedimentos que o cérebro aprendeu a gerar em função das experiências a que foi submetido: quanto mais traumática a experiência, mais significativa foi a auto-regulação que o cérebro desenvolveu para manter o corpo em estado de equilíbrio.

Encontram-se então por baixo das sensações desconfortáveis, disfunções diversas na fisiologia e comportamentos não apropriados; uma combinação de memórias, organizações fisiológicas, crenças e valores que devem ser circuitados de uma nova forma para que o corpo atinja equilíbrio com menos esforço: mais flexibilidade nos comportamentos e circuitos cerebrais consumindo menos energia.

De tudo isto se pode saltar para a conclusão de que mudança pessoal é um processo que pode ser adequadamente planejado com conhecimento de neurociências: circuito límbico, memória emocional, memória procedural, fisiologia e processos cognitivos. Este conhecimento é a base para desenvolvimento de métodos de intervenção que podem usar de forma apropriada a plasticidade neural, construindo novos caminhos que vão permitir descargas e ajustes resultando em regulação e equilíbrio saudável do funcionamento do cérebro. e sistema nervoso.

São recomendações gerais:

  • profissionais ligados à saúde mental devem hoje estar preparados para compreender o processo emocional como uma rede corpo/mente.
  • manifestações físicas diversas (fibromialgia, enxaqueca, disfunções em orgãos, alterações dermatológicas, falha em acuidade auditiva e/ou visual, etc.) podem ser em pequena parte ou no todo, resultado de uma componente emocional desajustada. Isto pode conduzir à necessidade de uma intervenção conjunta de terapia e medicina.
  • medicação psiquiátrica pode ser necessária em situações onde o desequilíbrio na resposta cerebral afetou de forma significativa a química neurológica. Ela deve ser indicada por psiquiatras (e entendida pelo agente de mudança) e não pelo pediatra do filho ou o ginecologista da irmã.
  • toda e qualquer técnica de intervenção para fatores emocionais está mais distante de resultados relevantes quanto mais distante estiver de um embasamento em neurociências.